Paulista que propõe independência do Estado nega xenofobia e afirma que o resultado das eleições "deixou clara" a "divisão" existente no Brasil.

O movimento encabeçado por ele, chamado de São Paulo Livre e divulgado por meio de um site , foi criado na semana passada, dias antes da votação, quando diversas manifestações de xenofobia se espalharam pelo Brasil. O independentista – nome que adota por considerar impróprio o termo “separatista” – nega, no entanto, defender qualquer tipo de preconceito. De acordo com ele, as pessoas que o criticam geralmente são aquelas “ligadas a movimentos sociais e partidos de esquerda”.

“O preconceito é inadmissível de todas as partes. Tem quem ofenda nordestinos, mas tem também quem diz que a ‘paulistada burra tem que morrer’. Tem ‘imbecil’ em todo lugar. Quem propõe ideias como as nossas automaticamente é considerado racista, xenófobo, nazista. Mas, pela minha família, fica claro que não posso ser chamado disso tudo. Acho curioso que normalmente são as pessoas ligadas a movimentos sociais e partidos de esquerda que apontam o dedo e chamam de ‘nazista’ quem é favorável à independência. Mas são elas que apoiam veementemente a divisão na Ucrânia, por exemplo”, citou.

Entre os argumentos usados pelo criador para defender o movimento, apoiado até o dia 29 de outubro por cerca de 100 pessoas, está a grande extensão do Brasil. Ele acredita que a região, se fosse menor, teria “mais dinheiro para investir em seu povo”, o que poderia torná-la um “polo desenvolvido” que serviria de “exemplo” para alavancar o crescimento de outros Estados brasileiros e de outros países da América Latina.

“São Paulo teria todas as condições para ser um país independente e gerar mais qualidade de vida para quem mora aqui. O sistema tributário atual está muito injusto. O povo paulista, que trabalha tanto, dá mais de R$ 200 bilhões para o governo federal todo ano em impostos. Deste dinheiro, só 20 bilhões voltam para cá como investimento. Mas, se você trabalhou para gerar tudo isso, porque tem que ter de volta tão pouco?”, questionou. “Isso ainda levaria prosperidade para o Brasil. Não daríamos as costas ao Brasil. O resto da América do Sul também poderia se beneficiar”, completou.

Ele, que passou um período da juventude na Europa e atualmente é dono de uma escola de idiomas voltada para empresários, contou, por fim, que adora viajar pelo país – costuma ir para Salvador, Rio de Janeiro e Paraná, capitais onde seus primos moram.

“Tenho um carinho grande pelo Brasil. A questão é que amo São Paulo. Não tenho nada contra qualquer pessoa de outro Estado, só acho que coisas estão ruins para nós e ficariam melhores se seguíssemos um caminho independente. Mas não criaríamos muros. O fato de São Paulo vir a ser independente não me impediria de levar minhas filhas a um show da Ivete Sangalo – que, por sinal, eu adoro”.

Em reportagem publicada no início desta semana , um estudioso entrevistado pelo Terra desmistificou a divisão entre “vermelho” e “azul” do Brasil. O historiador econômico Thomas Conti desenvolveu um mapa do País e das eleições conforme a realidade que, diferente da ideia compartilhada nas redes sociais, mostrou que estamos misturados em tons de roxo “esparramados” por todo o território nacional.