Bem escrita e incentivadora reportagem do Jornal Cidade, de Rio Claro, sobre a participação da região no Plebiscito Consultivo Paulista de 2016.

Rio Claro deverá ser polo regional de coleta de votos de sondagem realizada pela ONG “São Paulo Livre”, visando à independência do Estado de São Paulo como país independente. A coleta será realizada no mesmo dia das eleições municipais – 2 de outubro – e, apesar de não oficial (ou seja, sem poder de decisão), a intenção é criar um fato midiático para chamar atenção da comunidade internacional.

As urnas de papelão serão colocadas a 100 metros de cada zona eleitoral com representantes. Em dois dias, a ideia já tem 21 cidades representadas. Os interessados responderão a duas perguntas, nas cédulas de papel: “Você está insatisfeito com o jeito como São Paulo está politicamente representado na República Federativa do Brasil?” e “No caso de ter respondido ‘sim’, você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente?”.

De acordo com um dos organizadores, o profissional liberal Flávio Rebello, a ideia nasceu ao tomar conhecimento que no sul do país uma consulta semelhante, para o mesmo dia, está acontecendo. “Lá querem fazer uma República do Sul”, disse à reportagem.

“Já somos 21 cidades e o objetivo é que 200 cidades paulistas participem. Só na Capital, 13 bairros vão participar. Oficialmente é uma sondagem durante a eleição. Vamos obedecer às leis, teremos advogados que acompanharão todo o processo e divulgaremos o resultado de maneira democrática, mesmo que a população não queria a independência. No final, todo paulista já pensou um dia como seria se fôssemos um país. Então queremos acabar com o sonho velado. Teremos um fato para a independência paulista. Rio Claro é uma das cidades em que temos um representante e terá uma urna. Com este fato, a comunidade irá tomar conhecimento desta vontade do povo de São Paulo”, concluiu.

De acordo com a ONG, “O movimento quer debater com a sociedade as vantagens da transformação de São Paulo em um país independente. Com um PIB e população maiores que o da Argentina, e com um cenário cultural rico e diversificado, São Paulo tem tudo para se tornar um país de primeiro mundo, mais moderno e justo para todos que nele vivem”.

“São Paulo Livre é um movimento civil pacífico, que organiza ações de conscientização sobre a causa independentista, como palestras, reuniões, debates e manifestações públicas. Toda e qualquer pessoa é bem-vinda para se afiliar ao movimento”, cita a organização.

De acordo com o professor de História, Sergio Antonio Michelin Junior, o movimento que mais de aproximou em anunciar a independência do Estado de São Paulo foi uma revolta em 1641 que aclamou Amador Bueno rei de São Paulo, mas o mesmo recusou o título. “Os espanhóis achavam que a capitania de São Vicente poderia ficar sob posse da Espanha, se os paulistas se desmembrassem de Portugal. Propuseram então aos amigos, parentes e aliados que elegessem um rei paulista, indicando Amador Bueno de Ribeira. “Amador teria saído de sua casa escondido, com a espada na mão para o Mosteiro de São Bento. Todos corriam atrás gritando: “Viva Amador Bueno, nosso rei!”. Ao que ele respondeu muitas vezes, em voz alta: “Viva o senhor D. João IV, nosso rei e senhor, pelo qual darei a vida!”. Com ajuda de padres, Amador convenceu os rebeldes de que o reino pertencia à dinastia Bragança.